segunda-feira, 22 de setembro de 2008

X-Canguru

OHHH VIDA RUIM

Sexta passada recebi a visita dias 3 Reis Magos direto de Porto Alegre: Juliana, Rafael e Antônio. Eles trouxeram vários presentes valiosos direto do Rio grande: Chimarrão, Cachaça e uma camiseta do Imortal Tricolor. Como agradecimento, levei os 3 para o restaurante que estou trabalhando nos findis, e jantamos por lá. Levamos uma garrafa de Velho Barreiro de presente pra Cath e fizemos umas caipirinhas, como vocês podem ver na foto. Eles acharam meio esquisito dividir os copos entre todo mundo, e em 5 minutos foram buscar uma cerveja pra eles, enquanto nos encarregamos de beber as caipas.

Sábado preparei a casa pra receber os 3 Reis Magos para um almoço e para as japas que moram comigo mais o namorado de uma delas. Como não sabia o que fazer pra toda essa gente com as minhas técnicas culinárias pouco desenvolvidas recorri para o improviso: por que não fazer um X-Canguru? Aqui eles comem a carne de canguru, que é muito saudável e tem pouca gordura, e como há tempo não como o bom e velho X do Paulo (o melhor X de Porto Alegre) resolvi preparar os quitutes seguindo a clássica receita do Paulo. Perdi uma noite arrumando tudo, cortei a ponta dos dedos picando tomate e cebola, fui ao supermercado 3 vezes pois sempre esquecia de comprar alguma coisa. Mas no Domingo ao meio dia todo mundo estava reunido pra tomar uma boa caipira e mandar ver no X. Obviamente que o X não ficou nem perto do que o Berebéu (vulgo Paulo) prepara para os seus clientes na chapa do bar, mas confesso que cheguei perto. As japas adoraram. Também, elas comem brócolis, vagem e massa todos os dias, foi só colocar uma coisa diferente e com sal na frente delas que ficaram faceiras! Comiam bem devagar pra ver o que estavam comendo, não sei se por medo ou se por que estavam gostando mesmo.

Depois da função gastronômica fui pro High Vibes Festival, uma festa que rola todo ano onde eles fecham uma baita avenida cheia de bares e pubs e todos eles chamam bandas para tocar ao vivo, ou mesmo nas ruas tu encontravas várias pessoas apresentando as suas performances! Lá encontrei dois professores da escola e mais a Juliana, outra gaúcha gente boa que mora aqui em Melbourne e está me dando uma mão com algumas coisas que estou precisando aqui.  Ficamos lá até escurecer e depois voltamos pra casa, por que amanhã é segunda né...

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Aprendendo Australianês

FUCK, SHIT

Esse último findi foi um dos melhores aqui em Melbourne! Estou trabalhando em um restaurante italiano novo na cidade. Esse foi o segundo final de semana que trabalhei e o pessoal foi com a minha cara! A dona do restaurante e essa loira da foto, a Catherine. Uma australiana gente fina e muito locona! Tem vezes que não entendo o que ela fala. Quando um amigo meu me falou que eu estava vindo pra Austrália pra aprender "australianês" e não inglês eu achei que era exagero, mas o sotaque deles é muito carregado, falam rápido e não abrem muito a boca, e pra piorar, a galera mais nova usa muita gíria.

Semana passada fui num pub e no bar haviam mais de 40 marcas de cerveja. Não entendi o que o cara do bar falou e simplesmente pedi uma chope. Como não sabia qual marca era boa ou ruim, e não queria beber nem Heineken ou Budweiser, escolhi uma com o logotipo bonito que estava com a serpentina congelando, nisso me encosta um magrão e começa a falar comigo bem baixinho, completamente bêbado. Só entendi os "fucks" que saiam a cada 2 palavras da boca do infeliz. Comecei a achar que o gringo queria me comer. Fiz de conta que não era comigo e fui pro lado caso ele tentasse me cochar no bar. Quando o barman serviu a cerveja o veado me largou um "FUCK" seguindo de um "SHIT" bem bonito. Quando eu botei a ceva na boca orgulhoso de ter conseguido comprar o raio da birita, entendi o que ele queria dizer com aquelas belas palavras sussurradas no meu ouvido. Acho que era a pior cerveja do bar. Ele estava tentando me dizer que a cerveja que eu tinha escolhida era uma bela bosta. Pra não parecer que era um arigó perdido, fiz uma cara de quem gostou daquela lavagem e fui pra pista faceiro. No fim das contas não consegui beber toda a cerveja de tão ruim que era.

Retomando ao assunto do restaurante, esse do lado da Cath é o Alex, gringo gente boa que da uma força pra ela na cozinha. Eu sou um dos garçons que trabalha na casa. Como é um restaurante pequeno, normalmente trabalhamos com mais uma pessoa comigo, ambos orientados pelo Marco, um mexicano que sempre vem me falar como foram os jogos do Brasil pelas eliminatórias e me contar dos dribles do Robinho. Ele e a Cath estão me dando uma força pra trabalhar sempre com eles. Acho que gostaram de mim, e sempre que algum cliente pergunta de onde eu sou, e eu respondo ficam muito felizes! Aqui todo mundo adora brasileiro. Os clientes acham muito interessantes a nossa "Capital", Rio de Janeiro e adoram a nossa língua nativa, o "espanhol". Da vontade de mandar eles pra PQP, mas dou um sorriso bem bonito e explico que a nossa capital é Brasília e falamos português. Não da pra ficar muito brabo com eles, afinal, moram num país sem fronteira com ninguém, e foram descobertos há pouco mais de 200 anos. Mas são muito amistosos. Pedem até pra eu sambar! Cacete... o que a gente não faz pra deixar uma boa impressão.

No Sábado batemos o recorde do restaurante, 53 clientes!!! Pra comemorar, a Cath e o Tobias, outro chef da cozinha, me convidaram pra uma festinha na casa dele. Ela falou rindo que teriam umas 350, 400 pessoas na casa, achei que era piada, mas quando cheguei lá e ele abriu a cortina da garagem, tinha uma galera muito doida pulando e dançando que nem uns loucos! Foi uma das festas mais iradas que eu já fui. Conheci gente do mundo todo: Áustria, Japão, Espanha, Croácia, Iran, Nova Caledônia, Tailândia e por aí vai. Sempre que falava que era brasileiro lá vinha um gambá gritando: "SAMBAAAAA" e começava a tentar sambar... como eu já tava mais pra lá do que pra cá acompanhava o gaiato, e já juntava mais um bando de gente em volta!

Quando acabou a cerveja da festa a Cath me chamou pra buscar mais no restaurante dela. O mais engraçado é que ela sempre vinha com umas 2 garrafas de vinho e espumante só pra equipe do restaurante beber junto! A festa acabou lá pelas 4h com ma maioria deles indo pra outra festa beber mais... eu peguei uma carona com um amigo da Cath e me mandei pra casa pois não agüentava beber mais!

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Feijoadation

Feijoadation

No último Domingo aqui em Melbourne, dia 7 de Setembro, foi comemorado o dia dos Pais australianos. Aproveitando o gancho, o Copacabana, restaurante brasileiro da cidade, resolveu fazer uma feijoada pra comemorar também o dia da Independência do Brasil.

Não preciso nem comentar que a brazucada toda se reuniu pra comer um feijão de verdade e ouvir um pouco de samba, pagode, forró e também pra dar umas risadas dos orientais e dos nativos arriscando uns passos no embalo de uma bandinha que tocava ao vivo. Aproveitei e convidei o pessoal da casa que eu morei no primeiro mês pra prestigiarem a famosa feijoada, e pra minha surpresa pediram pra reservar uma mesa pra 10 pessoas! Chegaram de comboio. Levaram amigo, vizinho, namorada e tudo mais. O povo australiano adora uma farra, ainda mais se tiver bastante (eu disse BASTANTE) bebida. Aqui eles não bebem muito em garrafas como aí no Brasil, o negócio é beber com singelas jarras de choop. Uma atrás da outra. Depois de muita ceva resolveram provar umas caipiras... e depois de terem provado umas 5 caipirinhas eles viram que realmente gostaram da coisa e começaram a beber mais e mais. Impossível de acompanhar a turma da mesa. Depois que a galera tinha forrado o bucho, começou o som ao vivo, e aí os brasileiros se mandam pra pista pra mostrar o que é fazer festa. Os gringos olhavam de longe e ficavam fazendo cara de abobados enquanto os brasileiros faziam uma baderna no restaurante! Tive que chamar eles pra dançar senão eles só iam ficar assistindo da mesa e batendo palminhas (e bebendo mais, pois eles ainda não tinham parado).

A Di-anne era a mais animada, rebolou até o chão e queria tirar foto de todo mundo! O filho dela, Brendan, deu uma bundada numa japa que quase jogou a coitada da guria pra fora da pista. As japas (quando me refiro aos japas são todos com olhos puxados: japoneses, koreanos, vietnamitas, cambojanos, chineses, etc...) eram as mais faceiras. Ficavam olhando as brasileiras rebolar e quando tentavam fazer igual pareciam estar com dor de barriga. Dava gosto de ver!
Acabando a música ao vivo começou o show de Capoeira, que é mesmo muito bom. Dois brasileiros e um jamaicano ficam no palco dando piruetas e jogando um pouco pra mostrar pra gringada a arte marcial brasileira. Os australianos na mesa ficaram apavorados com o que o pessoal fazia ao vivo. Nunca tinham visto nada parecido. Gritavam, batiam palma e bebiam mais, obviamente. Adoraram o show e uns deles até queriam aprender!

No final das contas, estávamos há 4h dentro do restaurante, os garçons limpando as mesas, fechando os bares e a galera da mesa firme e forte reclamando que não podiam comprar mais nada pra beber!

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Difícil Adaptação

OHHH VIDA RUIM

(Por problemas técnicos do blogspot, a foto desse post pode não aparecer por completo. Para vizualisar toda a imagem acima basta clicar na foto)

Essa semana completo um mês aqui na Austrália, e como vocês podem ver estou levando uma vida bem mais ou menos!

Por sorte consegui um apartamento perto de tudo. Estou há 1 quadra do que é considerado o centro da cidade. Caminho 15 min. pra chegar na escola, e o restaurante que trabalho fica no meio do caminho. Conheci um brasileiro gente fina que ta me dando uma força por lá e as coisas estão indo bem. Trabalho com franceses, irlandeses, indianos... tem até um magrão na cozinha do Sri-Lanka. O bom é que assim pratico bastante o inglês.

Vou apresentar pra vocês a minha nova morada. as primeiras fotos dessa praça fica na esquina de casa, é a Flagstaff Garden.Durante a noite quando passo ali ela está tomada por uns gambás que só andam por ali na noite, e durante o dia eles ficam dentro das árvores! Como vocês podem ver, o prédio é bem alto, com 13 andares, e eu estou no 12o com uma vista excelente, como vocês podem ver na foto 8! Pra piorar a situação tenho academia e uma piscina térmica dentro do prédio, que pelo que vi, ninguém usa.

Estou dividindo o apê com 3 gurias. 2 vietnamitas e uma de Singapura ou da Malásia....não sei bem ao certo. Nunca vejo as 3 juntas em casa pois ou elas estão na rua ou estão enfiadas dentro do quarto delas. Os orientais são meio fechados, mas acho que com o tempo a coisa melhora. Uma delas tem um namorado gente boa, o Bernie, que é oriental também. Parece um daqueles personagens do Dragon Ball, e sempre tenta me ajudar com tudo. Pra poder entrar no apê eu tive que vir aqui pentelhar um pouco, por que elas queriam uma outra guria, mas pedi pra elas me conhecerem primeiro pra ver se iam com a minha cara. Chegando na entrevista falei só com uma delas... vi que elas não eram muito chegadas numa limpeza, pois o apê estava uma zona, e ofereci 3 meses de limpeza sem elas moverem uma palha! Falei que elas teriam uma vida de rainha e que eu poderia fazer o trabalho pesado pra elas! Só ai ja deixei a guria toda faceira e com um sorriso bem faceiro. Pedi pra vir no outro dia e falar com as outras duas e usei a mesma tática. BINGO! 3 no final do dia me ligaram dizendo que o quarto era meu. O bom é que não preciso dividir o quarto com ninguém e o preço que consegui é barato comparado aos apartamentos do centro da cidade! Dei uma sorte do cão!


O brabo foi encarar a faxina! O fogão não via água há alguns meses. O banheiro tinha cabelo e pó por todos os cantos, sem falar da sala, que elas só passam o aspirador por onde passa a procissão, e deu! Peguei um balde e um pano e perguntei onde estavam os produtos de limpeza e pedi uma vassora. Quem disse que tinha isso em casa? Com o tempo a gente vai descobrindo que o nível de higiene das pessoas varia conforme a sua nacionalidade, e os orientais são campeões quando se fala em porquice! Fui no super e comprei uns produtos pra deixar a casa com um odor diferente do de mofo e uns incenssos. As japas sairam e dei uma geral na casa, menos no quarto delas pois não sou pai de ninguém aqui né! Quando elas chegaram se apavoraram! Microondas, torradeira, máquina de fazer arroz e tudo que "era" branco um dia voltou a sua cor original como num passe de mágica!
O único problema que ainda não resolvi é a sacada do apartamento. Não sei por que, mas uma fámilia de pombas resolveu estabeleer residência ali, e como as japas não se preocupam com limpeza, as pombas menos ainda. No canto da sacada tem um morro de "cáca" de pombo! Coisa mais linda! Obviamente as gurias não querem machucar as pombas e quando eu falei em assustar elas com umas pedrinhas elas se apavoraram. No próximo findi vou dar uma limpada ali pra tirar o fedor e ver se eles param de aparecer. Tenho uma sacada e não posso usar pois as pombas acham que é a casa delas!? Para lá porr.....
Era isso galera... demorei pra colocar mais novidades pois estava atrás de lugar pra morar e trabalho. Agora que as coisas se ajeitaram estou mais tranquilo!

Prometi pras japas que eu faria uma janta de recepção também, mas como não tive noite livre ainda não rolou. Assim que eu tirar umas fotos eu coloco no blog!
Abraço pra todos!