sábado, 29 de agosto de 2009

Port Douglas

Depois de passar 3 dias procurando Crocodilos no meio do lodo fomos transferidos para a pequena praia de Port Douglas que fica há uma hora de Cairns. Diferente da primeira parada a surpresa foi muito melhor do que lama e piscina na praça central, já que nos colocaram em uma casa com quase o dobro do tamanho do apê anterior e sim, agora com praia de verdade.  Uma rápida caminhadinha de 5min nos levava até a tão esperada praia que lembra bastante as praias de Santa Catarina. Morros dos dois lados, coqueiros e água limpa pro banho. Já na chegada na areia nos enturmamos com uma galera que estava por ali, segundo eles bebendo há 3 dias, e pelo estadinho de todo mundo eu acho que era verdade. Todos eles com seus isopores com gelo e forrados de birita, alguns salgadinhos pra enganar o estômago e os seus cachorros, tão loucos quanto os donos. Era difícil de acompanhar o ritmo da turminha que pulava, gritava, dançava e não parava de nos empurrar trago.  A mais animada era a Simi com seus óculos escuros retro  e sua poodle branca que comia todo o pacote de batata frita pois não via ração desde que a maratona alcoólica tinha começado.

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Port Douglas é bem diferente das outras cidades que passei por aqui. É a primeira a não ter parquímetro, Mcdonalds e Boates, portanto uma praia calma e tranquila onde se encontram vovôs e vovós que vem pra ca gastar seus dólares nas atrações turísticas da região.

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Entre as atrações disponíveis em Port Douglas, a moça da recepção do condomínio nos indicou o "Café da Manhã com os Pássaros", onde rolaria um buffet durante o breakfast e a gente irria ver diversos tipos de animais locais por todos os lados. Varados de fome fomos os primeiros a chegar antes da excursão das famílias, vovôs e japas (sempre muito be, munidos com suas câmeras) que em poucos minutos lotaram o mini-zoo.

Com aquele rico banquete nos esperando já me encaminhei pra filar umas guloseimas que eu não via há tempo, como umas cucas (nem não chegam nem perto daquelas de Nova Petrópolis, é claro), pão caseiro e muita fruta a disposição. Bacon, ovo frito, pão tostado e suco como manda o tradicional café da manhã australiano também foi incluido no cardápio, é óbvio!

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Não preciso nem falar que o olho é sempre maior que a barriga, e enquanto o pessoal da terceira idade se divertia bem comportado com as bolachinhas de água e sal, acompanhado de chá com leite, eu já enfileirava o terceiro pratinho bem reforçado pra me manter nutrido e bem disposto pra caminhada que viria na sequência. E claro, também pra alimentar o bando de periquitos que faziam fila basicamente na nossa mesa, acho que pela maior quantidade de comida do que nas outras.

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Com uma certa dificuldade de caminhar e respirar depois do café nos dirigimos para a área dos crocodilos, que na chegada já me olhavam rindo... acho que tinham esperança de filar uma carne sul americana já bem recheada naquela altura do campeonato. Cangurus de várias espécies e tamanhos, coalas e vários patos engraçados lagarteando no sol e sempre em volta tentando comer a rebarba da ração que todo mundo comprava pra alimentar os cangurus.

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E finalmente a parte mais esperada da viagem, o mergulho na barreira de corais. 7:30 da matina fomos pegos pela van de umas das dezenas de empresas que tem permissão pra levar turistas até os pontos de mergulhos nos corais. O nosso barco não era dos maiores e mesmo assim levava mais ou menos 70 pessoas, mais a tripulação de uns 10 funcionários para o passeio. Mergulho com tubo de oxigênio ou então somente snrokeling, para os menos abonados, eram as modalidades disponíveis para quem embarcava. Novamente Buffet de café da manhã liberado, mas dessa vez só um bolinho com café pra não dar aquela “congestã” durante o mergulho. Sem pagação de mico na frente de todo mundo em alto mar, por favor né...

O passeio dura o dia todo com paradas em 3 pontos diferentes da costa, sempre junto das barreiras de corais. Compramos uma câmera descartável, pois já sabíamos que teríamos que marchar com AUS $35,00 pra comprar 3 fotos do fotógrafo da equipe. Com o barco parado a galera começa a pular na água e daí é cada um por si. Liberdade pra sair nadando e mergulhando pra qualquer lado.

Difícil de explicar como é nadar no meio daquele monte de corais, peixes , arraias e também tubarões. Sim, tubarões. No começo eu até tinha me esquecido do risco de ver um, mas quando estávamos no terceiro mergulho vimos um tubarão de mais ou menos uns 3 metros no meio de uns corais. A sensação é engraçada por que tu nunca viu um bicho daqueles a não ser na televisão e como eu não tinha uma daquelas grades de ferro pra me proteger já comecei a
pensar no que fazer caso ele resolvesse vir dar uma conferida no almoço dele. A real é que não tem muita saída... tu não pode gritar por que ta todo mundo mergulhando, e longe de ti, e ninguém vai te ouvir também. Não tinha como correr e ele se movia com uma velocidade absurda. Por sorte ele foi pra outro lado, mas em seguida quando eu já estava mais aliviado olho pra direita e ele tava ali novamente, há uns 10 metros de distância nadando no mesmo ritmo que eu. Aquela alegria.

Eu acelerava o ritmo e ele parecia que só acompanhava me cuidando de canto de olho. Nessas alturas achei que ia virar petisco, mas foi só mais um belo cagaço... logo ele já seguiu caminho pro lado oposto.

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Além do tubarão, cardumes enormes com peixes pequenos, médios e grandes das mais diversas cores e formas. A profundidade variava desde uns 30m onde o barco ancorava até chegar um ponto onde se nadava há 1m acima dos corais podendo até tocar se quisesse, mas todos são avisados pra não fazer isso e cuidar com os pés-de-pato enquanto nadam pois podem danificar os corais se bater neles.

Na volta todo mundo meio cansado de tanto nadar, sentados no barco o capitão fez uma parada pois haviam visto uma baleia, e pelo que eles falavam era uma baleia branca, a maaaaaais rada do mundo. Sinceramente eu já vi peixe maior pulando nos açudes ali de tapes quando eu ia pescar com o meu pai. Fizeram um alarde louco pra uma baleinha que só deu um ou dois espirros na superfície... e nem sei se era tão rara assim. Todo mundo sacava câmera e ficava procurando ela. Eles falavam que esperaram a vida toda pra ver aquela baleia. Aham. Devem falar isso pra todo mundo que mergulha com eles, e no final ainda pediram pra indicar o barco deles pros amigos pois eles sabem onde as baleias estão. Ah ta né?! Não pra cima de mim né meu guri?

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A saidera da viagem foi conferir a famosa “Corrida de Sapos” que iria rolar no centro de Port Douglas, no Iron Bar. Subimos no segundo andar e lá estava um típico Australiano anunciando os nomes dos sapos para o grid de largada e também sortear pelo número do ingresso os “jóqueis”que iriam orientar os sapos durante a corrida. As regras são simples: com uma língua-de-sogra tu poderia empurrar o sapo pra fora da mesa, e depois quem botasse ele de volta no balde era o vencedor. 3 baterias de corrida com direito a uma delas tendo premiação de um passeio nos corais, mas pra concorrer era preciso comprar a sua participação no leilão de sapo! Teve uma pateta, que de empolgada com história, pagou AUS$ 70,00 no seu sapo. PODE? Eu já tive sorte e fui sorteado pra participar! Sim! Fui jóquei de sapo na Austrália! O nome do meu sapo era “FAT BASTARD” e como todos os outros ganhou beijinho do seu jóquei antes da corrida, pra dar sorte é claro. Na largada da corrida o sapo, que era criado a Toddy,  já saiu pulando e eu atrás soprando a língua-de-sogra! No que ele caiu no chão e eu juntei o querido me deu uma beeeeela mijada nas mãos. Por uma fração de segundos não consegui colocar ele primeiro no balde, o que me rendeu o segundo lugar na corrida!

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Pra quem quer ver um a minha performance na corrida, o passeio de barco, Simi e seu poodle doidão, cangurus, coalas, jacarés, periquitos e a praia de Port Douglas é só conferir o compacto no vídeo abaixo!



Aquele abraço!



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domingo, 16 de agosto de 2009

Peão com Cultura

Dae! Há mais de um mês e pouco sem atualizar a galera com notícias aqui de Melbourbe consegui sentar com calma pra escrever rapidamente pra vocês o que anda rolando. Estive meio sem tempo pois além de estar estudando um pouco mais, devido os novos professores do meu curso serem um pouco mais malas também resolvi ampliar meu curriculum e atuar em uma nova área de negócio aqui na Austrália, construção civil. Isso mesmo, pedreiro!

Um amigo meu perguntou se eu estava afim de encarar essa e achei que ia ser interessante fazer uma grana extra e ver como é trabalhar no setor. O brabo é acordar às 6h da matina e encarar um frio sempre com muito vento enquanto espero a carona me pegar pra nos deslocarmos pras obras em andamento. Como não tenho nenhuma experiência virei o faz tudo da obra. Na primeira semana foi um espetáculo, peguei logo uma casinha que estão reformando e carreguei de 3 a 5 mil tijolos por dia. Uma maravilha. Sem falar nos buracos de 90cm de profundidade que tive que cavar na segunda semana. Não preciso dizer que o peão aqui tava todo esgualepado no fim desses primeiros 15 dias de lenha. Bolhas nas mãos, minhas costas chegavam a se rir quando eu chegava em casa, tomava um banho e me deitava na cama.

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Esse trabalho que, pra gente ai no Brasil é sinônimo de sub-emprego aqui é levado a sério, bem pago (pra quem é profissional é claro) e é feito sempre com muita segurança pois a legislação é rigorosa. Colete com cores neon, luva, bota, óculos é sempre indispensável pra quem trabalha em grandes construtoras. É comum ver uma galera mais nova entre 20 e 30 anos nas estações de trem vestidas com esses acessórios indo trabalhar todos os dias. Eu por exemplo trabalho com 2 alemães, um de 25 e outro de 29 anos que estão no ramo há mais ou menos 6 anos. Um deles estudou todo esse tempo para se tornar carpinteiro e veio da Alemanha pra cá, pois aqui é uma profissão mais bem paga que lá.

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Fora isso as coisas vão muito bem por aqui. Com o inverno a cidade muda um pouco de cara e os cafés e as praças se entopem com gente procurando um lugar com sol pra se esquentar. Esse ano a prefeitura trouxe vários eventos pra Melbourne, entre os principais estão a exposição do Salvador Dali e de Pompeii. Além desses dois principais eventos está rolando uma exposição do Star Wars com mais de 80 bonecos em tamanho real, carros e cenários dos filmes pra quem é fanático pela série. A Exposição do Salvador Dali tem um dia da semana que se estende até a noite com tour especial pelo museu falando sobre a vida e as obras do artista espanhol. Já a exposição de Pompeii, que roda o mundo todo, está em um museu bem grande,  e aqui para Melbourne foram trazidas diversas peças e objetos da cidade italiana que foi destruída por um vulcão em 79 a.c.

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Outra boa notícia é que além de atuar como pedreiro e garçom consegui o meu primeiro cliente como free lancer em terras australianas. Conheci um gerente de um restaurante que tem uma empresa que organiza jantares e festas pra uma turma da alta, o qual estava precisando de material pra organizar a sua empresa. Prontamente me ofereci, e o cara, gostando do meu trabalho me deu a chance de desenvolver tudo pra ele. Maravilha!

E já que tá muito frio em Melbourne, tirei 10 dias pra conhecer o estado de Queensland, nordeste australiano... segue no post na sequência o que anda rolando em CAIRNS, cidade famosa pelas maiores barreiras de corais do mundo que fica por aquelas bandas.

Abraço

Cairns

Fugindo do Frio e indo atrás de um pouco de sol tirei 10 dias pra conhecer a cidade de CAIRNS, famosa pelas belas praias com temperaturas altas o ano todo, boas festas e também pelos passeios de barcos até as barreiras de corais que segundo afirmam, pode ser vista até da lua! Comigo veio uma amiga que conheci aqui em Melbourne, a Cecília, uma francesa que tava afim de subir até o norte pra conhecer aquelas banda antes de voltar pra França no final de Agosto.

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Poucos minutos antes do avião começar a se preparar pra aterrisar no aeroporto ele manobra por cima de uma parte dos tais corais, o que acaba deixando a galera com água na boca pra chegar logo e se mandar pra praia e ver aquela beleza toda, tomar uma birita e curtir os 30 graus que faz por aqui, enquanto em Melbourne continua nos seus 14 graus. Chegamos no apartamento há 2 quadras da praia como foi prometido na agência de viagens, piscina, churrasqueira e tudo mais pra passar uma semaninha e pouco como um belo marajá... o grande problema é que quando fomos até a beira da suposta praia de Cairns nos deparamos com as imagens que seguem no vídeo.

Isso ai meus amigos,mar recuado uns 200 metros, banhado, crocodilos e outras bizarrices que ainda estavam por vir. Fazendo uma pesquisa pelo site da cidade antes de decidir vir, o que se via eram as belas fotos aéreas com água azul e cristalina pra atrair os turistas pouco informados como nós. Nas páginas sobre mergulhos com tubarão, passeios nos corais com milhares de fotos de tartarugas, cardumes de peixes dos mais diversos tamanhos e sempre o campeão de aparições, o Nemo, que está sempre em todos os sites, panfletos, cartazes e flyers pra chamar os turistas para mergulhar. A única coisa parecida que vi no meio da lama foi o “Conemo”, atolado ali na orla de Cairns.

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Outra atração interessante é essa árvore gigante no centro da cidade forrada de morcegos. Aham, uma grande turma deles passa o dia ali berrando, voando de galho em galho e cagando. Ao redor dessa quadra existem várias árvores gigantes sempre lotada de morcegos que se divertem pendurados e sujando os carros estacionados por ali. Quem acha que aquelas pombas que vivem na Praça da Matriz ali no centro de Porto é problema, aqui os morcegos com as suas calibradas evacuadas muitas vezes deixam as pinturas dos carros danificadas tendo que serem refeitas por causa das manchas que os bichos deixam.

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O jeito foi sentar na praça com a piscina pra enganar otário e ligar pra agente de viagem e pedir uma solução. Música alta rolando, backpackers europeus pra todos os lados e acabamos encontrando uma dupla de hermanos argentinos, que pela cara, pelo shortinho lilás e pelo jeito que conversavam gritando no meio de todo mundo não foi difícil de identificar.

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De cara com a lama, morcegos e hermanos fomos pro resort pra tomar uns tragos e aguardar pela ligação da agência de viagens que estavam nos transferindo pra uma casa num resort em Port Douglas, 1 hora afastado de Cairns e com a tão esperada e prometida praia que nos haviat; sido vendida.

Espero ter melhores notícias pra dar no próximo post. Falou

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