Pra quem tem curiosidade em saber como é a Páscoa na Austrália já posso antecipar que não chega nem perto da loucura que é aí no Brasil. Normalmente um mês antes da chegada do coelhinho até os nossos botecos estão cobertos de ovinhos, coelhinhos, caixas de bombos e outros tipos de chocolates pra galera se empanturrar e ouvir a piazada reclamando das espinhas. Aqui a coisa é bem diferente. Reparei que tinham alguns coelhinhos lá no canto do Supermercado... ali na última prateleira, no meio das panelas e dos jogos de talheres (todos vindos da china, é claro).
Por sorte a Di-Anne, minha amiga da casa de família que fiquei quando cheguei em Melbourne, me levou pra pescar em um clube de pesca familiar em Williamnstown, praia de pescadores e próximo da entrada para o principal porto de Melbourne, Docklands. (link pra quem quiser conferir no google maps)
Pra quem imaginou o Clube de Pesca um prédio grande, e um pier cheio de navios luxuosos com frigobares lotados de espumante e caviar se enganou. O QG dos locais é um galpãozinho bem xinfrim com meia dúzia de mesas com mapas, fotos, jornais e é claro, muita cerveja. O pessoal passa o dia ali bebendo, pescando e falando bobagem. Pescar e beber é a rotina diária deles. Por ser um clube privado, só entram familiares e amigos mais chegados pra visitar o pessoal. Quem nos convidou pra passar a páscoa com eles foi um tiozinho muito gente boa chamado “Li”, que a Di-Anne conhece há alguns anos já. Entrando no estabelecimento deles largamos na mesa um fardinho de 6 long necks e um trago grego feito em casa, logo todos que estavam dentro do mini galpão, do tamanho de mais ou menos 2 salas grandes, olharam com uma cara de alegria e falaram: “FELIZ PÁSCOA!” Foi o que o Li precisava ver pra nos convidar pra pescar no barco dele!
Colocamos um casacão, pegamos os molinetes e nos dirigimos para o píer. Dezenas de barquinhos velhos, pra não falar caindo aos pedaços, e eu pensando em qual deles iríamos dar uma volta! Por sorte o barco do Li era o mais filha da p....! Pintura toda descascada, um monte de tralha dentro e uma caixinha no meio do barco que até então eu não tinha idéia do que seria. Um banco? Uma caixa de ferramentas? Foi então que ele abriu e ali estava o motor possante que ele fez questão de me falar umas 5 vezes que era de 1940! O bendito motor do barco mais parecia mais um motor de geladeira velho! Todo orgulhoso da geringonça ele me puxa um uma ferramenta feita de cano de PVC para tirar a água da caixa do motor! Ah, agora sim eu tava tranqüilo. Tínhamos um colete salva vidas e éramos 3 dentro do barquinho, sendo que a Di-Anne não sabe nadar e a mulher é grande, duas vezes o pobre Li que deve pesar uns 50 kg. Não da nada! Depois de algumas tentativas de ligar a naba, o motorzinho pega no tranco! Embarcamos e nos dirigimos mar a dentro. Parando num primeiro ponto pra começar a pescaria, o Li abre uma caixinha cheia de iscas artificiais e pede pra eu pegar uma laranjinha, especial pra pescar Calamari! O calamari é tipo uma lula, tem 10 tentáculos e larga aquela tinta preta na água quando se sente ameaçada.
Começando a brincadeira demoramos um tempo pra pegar o primeiro Cala, apelido dado pelo Li para o bicho. Trocamos a posição do barco mais de 2 vezes até achar um ponto onde haviam vários calamaris e daí começou a festa. A Di-Anne puxou o primeiro que veio brigando bonito com a linha, e chegando perto do barco com o Li dando as instruções com um inglês difícil de entender, além de ter alguns dentes a menos na boca, ele segura uma redezinha pra puxar o Calamari e o querido me larga um jato daquela tinta preta direto na minha câmera, e depois mais uma rebarba de tinta na minha cara e da Di-Anne. Não preciso dizer nada que ele ficou rindo o resto do passeio todo! No fim das contas pegamos 4 calamaris no total.
Na hora de voltar o Li ligou o motor, e este começou a fazer uns barulhos esquisitos e sair um pouco mais de fumaça do que o normal! Após uns 5 minutos de tensão ele consegue fazer a maquineta funcionar e seguimos de volta à terra firme! Chegando lá seguimos pra limpeza do calamari, que foi feita em uma pia ali na rua mesmo, a qual já não via água há alguns dias! Com dois ou três puxões um outro camarada do Li limpava o molusculo, deixando ele limpinho e pronto pra ser cortado em anéis e ir direto pra frigideira.
Depois de toda a função fui tirar uma foto com os pescadores acompanhado de uma cerveja pra comemorar o sucesso da pescaria. Pouco malandro que o Li é, chamou a Di-Anne pra uma foto também e aproveitou pra tirar uma lasquinha da grandona durante a foto com uma mãozinha boba! Ceva numa mão e um peitinho na outra! Hehehe! MESTRE!

Ah, não posso deixar de apresentar o Mercedes da década de 70 que a Di-Anne comprou e mandou dar uma ajeitada! Sempre que vou lá ela pede pra eu dirigir pra ela o brinquedo novo dela! Depois de algumas bandas ela falou que quando ela for visitar o Brendan (filho dela) em Adelaide, eu posso ficar na casa deles e usar o Mercedão!

Se tudo der certo, mês que vem vou dar banda de Mercedes até alguma praia da região. Nojeeeeeento o guri!
Abraço e Feliz Páscoa pra todos!
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Cagado por um Calamari na Páscoa
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4 comentários:
Jisuis!!! O barquinho dá medo hein?? e o motor então? Parabéns, Duda! Tu e meu ídolo!! Mta coragem! hahaha!
e q bichinho mais nojento q vcs pescaram! vcs comeram aquilo??
só pra te dar um gostinho...a tua mãe fez uns amendoinzinhos na pascoa...hummmmm... delicious!!
beijinhos!! aproveita aí!
Graaaande!!!!Pra variar sempre muito criativo neh ass.... adorei a historia...espero que quando eu for eu aproveite da mesma forma...
ps: juro que essa semana te ligo!!!!
beijos big inté!!!!
Adorei o post e as fotos! Mega ilustrativas!!
Beijo.
E aí Eduardo?! Muito show teu blog. Nunca parei pra comentar mas sempre acompanhei tuas andanças por aí. Aproveito pra deixar uma impressão minha...Acho que tu tá pegando aquela tiazinha que quer te emprestar casa, carro, hmmmmmm...fala a verdade...hahahahaha. Grande abraço. Felipe (TM)
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